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domingo, 18 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
José Lins do Rego
Biografia
José Lins do Rego Cavalcanti nasceu em 1901, no Estado da Paraíba, e morreu em 1957 na cidade do Rio de Janeiro.
Viveu a maior parte de sua vida em Recife, cidade onde se formou em Direito. A partir de 1936, passou a viver na cidade do Rio de Janeiro.
O dia a dia e os costumes tanto de Pernambuco quanto do Rio de Janeiro eram evidentes em suas obras literárias.
Ele deu início ao conhecido Ciclo da Cana-de-Açúcar com a obra: Menino de Engenho. Além deste livro, este notável escritor escreveu outros livros, como: Doidinho, Banguê, O Moleque Ricardo e Usina. Este último possui narrativa descritiva do meio de vida nos engenhos e nas plantações de cana-de-açúcar do Nordeste.
Em sua segunda fase, José Lins do Rego escreveu romances que tinham como tema a vida rural. Deste período, fazem parte as seguintes obras: Pureza, Pedra Bonita, Riacho Doce e Agua Mãe.
No ano de 1943 publicou o livro Fogo Morto, considerado a sua obra-prima; posteriormente escreveu Euridice, Cangaceiros, alguns ensaios, crônicas e outras obras.
Este notável escritor foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras e teve suas obras traduzidas para diferentes idiomas, entre eles, o russo. Antes de morrer, escreveu um livro de memórias chamado: Meus Verdes Anos.
Principais obras de José Lins do Rego
- Menino de engenho (1932)
- Doidinho (1933)
- Bangüê (1934)
- O Moleque Ricardo (1935)
- Usina (1936)
- Pureza (1937)
- Pedra bonita (1938)
- Riacho doce (1939)
- Fogo morto (1943)
- Eurídice (1947)
- Cangaceiros (1953)
- Gordos e magros (1942)
- Poesia e vida (1945)
- Homens, seres e coisas (1952)
- A casa e o homem (1954)
- Meus verdes anos (1956)
- O vulcão e a fonte (1958)
- Dias idos e vividos (1981)
Contexto histórico
Segundo o próprio autor, sua obra de ficção pode ser dividida em:
a) Ciclo da cana-de-açúcar: Menino de engenho, Doidinho, Bangüê, Usina e Fogo morto;
b) Ciclo do cangaço: do misticismo e da seca: Pedra Bonita e Cangaceiros;
c) Obras independentes: O moleque Ricardo, Pureza e Riacho Doce (que de algum modo associam-se aos ciclos anteriores).
As obras do chamado "ciclo da cana-de açúcar" são as mais importantes, destacando-se em Fogo Morto. Nelas, o autor procura retratar o início da decadência dos senhores de engenho, o advento da usina-de-açúcar, com seus métodos modernos de produção, e a formação de uma nova estrutura econômica e social na região açucareira do Nordeste.
As características marcantes desse ciclo são: o memorialismo, a visão de mundo sob a ótica do senhor de engenho, a linguagem espontânea e certa consciência crítica em relação à miséria e ao subdesenvolvimento do Nordeste.
Esses fatos tiveram grande influência do amigo Gilberto Freyre, que depois de anos de estudo nos EUA, voltou com ideais marcantes sobre a nova formação social brasileira e, neste sentido, o senhor de engenho tinha papel fundamental no contexto histórico brasileiro.
Menino De Engenho
(José Lins do Rego)
A obra Menino de Engenho tem como cenário o interior paraibano, a Fazenda Santa Rosa e o engenho de açúcar do avó do menino Carlinhos. Aos quatro anos de idade, Carlinhos, após a morte da mãe, assassinada pelo pai enlouquecido e posteriormente internado, o menino vai viver na fazenda do avô materno, o senhor de engenho José Paulino. A adaptação de Carlinhos e suas sucessivas perdas estão presentes ao longo da narrativa. A convivência com tio Juca, e a mentalidade machista, revelam na descrição do meio a influencia da cultura patriarcal e escravocrata, fazendo parte da infância do menino. A cultura e a estrutura do engenho estão centradas na economia açucareira em declínio. A ferramenta que move o engenho é a mão-de-obra escrava. Negras e negros compõem a estrutura produtiva através de um trabalho escravo, onde a exploração dos trabalhadores e trabalhadoras retrata um painel econômico e social. O senhor de engenho representa o poder econômico, o latifúndio e a exploração do serviço braçal. O contraste entre a Casa Grande e a Senzala, a sociedade hipócrita e sexualmente pervertida, onde a promiscuidade e a exploração sexual das negras fazia parte de uma relação sem escrúpulos do senhor de engenho (dominador) e das escravas negras (dominadas). A narração feita em primeira pessoa pelo protagonista Carlinhos retrata com naturalidade a convivência numa sociedade estruturada no poder senhoril e suas regras de dominação. As negras eram comparadas a animais domésticos, mais intimamente ligados à Casa Grande, executando trabalhos sem remuneração que se perpetuavam geração após geração. A gravidez e as doenças venéreas eram uma constante entre as escravas negras exploradas pelos senhores de engenho. Carlinhos se inicia sexualmente com uma escrava e contrai doença venérea, na época motivo de orgulho para um homem. Aos quinze anos Carlinhos é mandado para um colégio interno e deixa o engenho de açúcar do avô José Paulino em vias de decadência com a chegada das usinas de açúcar.
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